17/10/2008

Estou escrevendo um artigo sobre o CQC. É mais que um post. É longo. Bem longo. Acho que tem de sair em capítulos. Se é que vai sair. É sobre Tas e CQC. Então, uma prévia. Em poucas linhas. O CQC não é o Jornal Nacional. O CQC não é Globo Repórter. O CQC não é Pânico, porque Pânico é algo que costumam chamar de “humor”. O CQC não é humor. É ironia. É Ernesto Varela e Valdeci. Tem um pé em Thoreau. O CQC é um pouco de reação aos Filtros de Chomsky. Exagerando, Ionesco, Becket, teatro do absurdo. Exagerei. Eu disse. O CQC tem função social. E incomoda o jornalismo porque o jornalismo tenta desesperadamente, por medo, receio, pudor ou conveniência, não incomodar ninguém. Eu gosto do CQC. Eu gosto do Marcelo Tas, muito. Gosto da prótese na mão da assessorazinha de imprensa bonitinha e risonha. Porque desmonta. Porque subverte. Porque desmoraliza o discurso hipócrita. Porque a prótese na mão da assessora não é afronta: é crítica. É constrangimento a quem não tem o menor constrangimento de colocar nas costas de assessores de imprensa responsabilidades que eles não têm. Mas aceitam, pra sair em foto na Exame. Quem aceita sair no Valor Econômico com a legenda Assessor de Imprensa de Tal Coisa Inc. e não se constrange não deve se constranger com o CQC. Quem aceita entrevista como assessor de imprensa de deputado Fulano de Jesus e não se constrange não pode se constranger ao sair no Proteste Já. Ônus, bônus. Excessos. Talvez. Melhor o excesso incômodo que a omissão medíocre. Melhor o bico no balde que o rabo preso. Eu queria um CQC em cada Estado. Eu queria ser jornalista. Eu queria ser CQC. Jornalistas queriam ser CQC. E deveriam. Mas não sabem que deveriam, ou esquecem. E fazem coletivas com a Gysele Soares assinando Playboy como se isso fosse jornalismo. Não é. O CQC também não é jornalismo. Mas bem que a gente queria que o jornalismo fosse um tanto CQC. Quem sabe Brasília (a metáfora Brasília negra que paira sobre nós) fosse menos ridícula. Quem sabe.

7 comentários:

itallo disse...

Resposta, réplica, tréplica, não importa, concordo.

E só não irei fazer um post pq já temos dois lados definidos e assertivos. Quero ler os capítulos.

Mariana Arraes disse...

Olha... eu não gosto de falar como profissional da comunicação. Mas aqui estou me vendo da condição e assim o farei, pode ser?! Lá vai:

Como Jornalista e telespectadora fiel do CQC, eu AFIRMO que esses caras estão na tv fazendo, mostrando e dizendo muito [ou quase tudo] do que os outros não fazem, não mostram e não dizem.

Beijo, Dedé!

George Mendes disse...

Acho os caras sensacionais. O programa possue um roteiro muito bem trabalhado, sem sensacionalismo. Muito interessante também são as propagandas veiculadas. Eles fizeram umas mistura de merchandising com os habituais comerciais de tv. A cobertura das eleições foi sensacional. Muito bom o CQC! Abraço André!

marcelo santiago disse...

Ei, você não acha que esse tipo de arquivo do blog que você escolheu é pouco funcional?

Quem chega aqui fica sem saber sobre o que você escreveu e tem que chutar ou simplesmente sai do blog.

Fica aí a sugestão.
Abs.

Joyce disse...

Essa é a dinâmica.

Existe um círculo vicioso no jornalismo. Existem boas idéias, bons profissionais..

Quem dera um CQC por The.

Mas..

Joyce Vieira

oseguinte disse...

to adorando essa polêmica .rôurôurôu XD

lala♥ disse...

Creio/vejo que a comunicação esteja em uma fase de transição muito séria. Em função disso há muito lixo espalhado por aí, mas há tb a esperança vindo a galope com essa gente corajosa. CQC na cabeça...

Espero pelos próximos capítulos.

Beijões