08/06/2007

Blogueiros no Salão do Livro do Piauí

E então, o que foi que aconteceu?
Aconteceu que era pra durar meia hora e durou uma hora e quarenta.
Aconteceu que tinha gente que esperava que em pleno feriado, às 9.30 da madrugada, para ouvir três jovens pessoas não famosas falarem de blogs em um Salão de Livros, não ia ter ninguém, mas a sala esteve cheia, e melhor: cheia de gente bonita, de jovens, de velhos, de blogueiros e não blogueiros, de poetas e não poetas, de fãs de nós três e de gente que nunca ouviu falar da gente, e de gente que questionou, conversou, bateu-papo, sugeriu e fez todo mundo ficar surpreso.
Aconteceu que ninguém sabia exatamente o que falar dentro do tema “Blog e Literatura”, mas saiu assunto de todo jeito: poesia, jornalismo, negócio, invasão de privacidade, sonho, livro, futuro, passado, regionalismo, baixo nível, intimidade excessiva, planos, Bruna Surfistinha, Rita Apoena, Maiakovski, Leminski, Alê Félix, Clarah Averbuck, Mário Prata, Quintana, amor, Cambalhotas de Irrealidades, Vítor Freire, Alisson Villa, direitos autorais, Juca Kfouri, Sun Microsystems, Boeing, HSBC, cheiro de tinta, política, despolíticas, Centro de Convenções inadequado, roubalheira, corrupção, hahahas, hehehes, clapclapclaps, flashs e taptaptaps nas costas e smacksmacksmacks nos rostos.
Aconteceu que Fábio Lima esqueceu que era feriado e demorou a chegar, já que o sistema de transporte coletivo é uma bela josta, mas acabou se redimindo porque é jovem, inteligente e talentoso, apesar de uma barriga que está muito, muito grande.
Aconteceu que Rita Prado esqueceu que era feriado e chegou 45 minutos antes, e mostrou que esse jeito novo de escrever que vem surgindo e ganhando corpo e aprendendo a ser melhor não precisa ter cabelo ensebado nem rodela de suor debaixo do braço, e pode ser fashion e descolado e bom.
Aconteceu que o professor Luiz Romero, que não gosta de usar nem telefone celular, descobriu que tem comunidade no Orkut e não parou de falar no blog da Bruna Surfistinha, e disse horas depois que esse foi, senão o melhor, um dos três melhores debates de todo o Salão, e que ele vai prestar atenção nessa “coisa de blog”.
Aconteceu que Ana Clara, que eu não sabia que era uma jovensíssima e tímida leitora antiga e na verdade eu nem conhecia, me deixou com os olhos meio chuvosos, e me fez ter vontade de refazer coisas cambalhotinas e, atenção atenção, vem aí “idéias inc. – Fazedora de Coisas”, em breve na relação de links aí ao lado; e, em primeiríssima mão (em segundíssima, porque eu disse lá, na hora, animado com as palavras da Ana Clara): vem aí Minidicionário das Pequenas Grandes Coisas – Parte I, com ilustrações de Vânia Medeiros, aguardemmmmm!
E, grosso modo, que é uma expressão medonha mas eu sempre quis usar num texto meu, foi isso que aconteceu para quem estava olhando um pouco de fora.
Mas, se alguém prestou mesmo muita, muita atenção, deve ter percebido que o que aconteceu foi um encontro de gente interessada em fazer por prazer, fazer por gostar, fazer pelo fazer fazer feliz, um encontro de gente interessada em crescer, aprender e ensinar sem saber que está ensinando, e criar um jeito novo de um monte de coisas, sem esquecer que o que passou nunca vai passar e, sim, caminhar de mãos dadas com o que está por ser feito.
Foi isso.
Ou não. Sei lá.
Só sei que foi ótimo e, quem não viu, perdeu.
(fotos, mais tarde)

12 comentários:

Bruna Ibiapina disse...

Pra mim aconteceu assim:
Aconteceu que, apesar de todo nosso esforço para chegar cedo, eu e meu namorado chegamos 9:35 e já tinha começado. De cara, muito estranho: um evento pontual? As surpresas começaram mais ou menos nessa hora, pra mim.
Aconteceu que tentei sentar na frente da Rita, porque foi o convite dela no blog que me fez estar lá, como fiel leitora não posso deixar de seguir os passos da minha querida. Mas depois, acho que eu queria estar trocando de lugar o tempo todo, porque parece que os outros caras que estavam lá também são meus ídolos. Luiz Homero, sem palavras, o que seria de Fernando Pessoa se não existisse esse professor pra explicá-lo? André Gonçalves, que grande peça essa vida, quase deu pra escutar meu “hã?” quando ele falou do cambalhotas. Porque infelizmente quando eu descobri o cambalhotas, o site já não estava no ar, mas as pessoas comentavam, cobravam a volta, e eu curiosa, sem saber nada sobre isso. Depois chegou um cara, meio desastrado, atrasado, apressado. Esse eu não conhecia, infelizmente, porque ao chegar em casa, olhei o blog dele e gostei de cara! Apesar disso, permaneci no meu lugar, às vezes me zangava quando alguém sentava na minha frente, mas não tinha como ser melhor.
Aconteceu que eu tinha mil perguntas, comentários, depoimentos e blá blá blás pra falar. Mas, me calei. Até agora me pergunto o porquê, talvez porque eu sabia que eles (os blogueiros) iriam me “escutar” quando chegasse em casa, e vissem o nome “Bruna Ibiapina” falando umas bobagens intermináveis nos seus blogs.
Aconteceu que eu não queria que acabasse. Afinal, porque não podia durar o dia todo? Ninguém ia se importar. Talvez eu até falasse alguma coisa. Sei lá.
Aconteceu que poucas vezes eu fiquei tão satisfeita por acordar cedo em um feriado. E acontece que esse dia vai ficar guardado pra sempre na minha memória, não só porque tirei uma foto com uma das pessoas que mais admiro, a Rita, mas porque, em um bate-papo literário, em me senti em casa, em família.

George disse...

Show André! Foi "muito ótimo demais". Abração!

Morrer [de Rir] ... disse...

André, muito legal... a parte que vi foi interessante, animadora e, certamente, poderia ter sido discutida por horas e horas a mais...

ju disse...

:~)

trancafiada disse...

Oi André!
Qto tempo, né? Claro que lembro de vc e dos seus escritos que eu adorava ler!
Eu parei de escrever no meu blog há um bom tempo e estou voltando. Ver que vc passou pelo Mundinho me deixa mais animada. :)
Olhei o teu texto aqui rapidinho e vc disse ter "vontade de refazer coisas cambalhotinas"?! Oba!!! Dou a maior força ;)
Beijos e a gente vai se esbarrando por esses blogs.

Maritza disse...

Oi! É maritzableil@hotmail.com (não achei como mandar por e-mail) Beijos.

Alexandre Beanes disse...

pô! vc sumiu, o cambalhotas sumiu, pensei até em palavras de ótica, tal qual as ilusões. bom saber que aqui a farinha continua da boa. grande abraço, andré.

Ajosé1150 disse...

André, realmente foi muito proveitoso aquele (ou este) bate-papo literário. Sou o professor Ajosé. Gostaria que desse uma olhada no meu blog: http://ajose1150.blogspot.com/

Se considerar interessante e puder "linkar", estará me ajudando bastante. Um abraço. Foi um prazer conhecê-lo pessoalmente.

Ana Clara disse...

E eu que pensei por tanto tempo em continuar uma anônima admiradora de André e seus textos,que gaguejaria e teria minha voz instável ampliada a muitos ouvidos pelo microfone. Pensei também que as palavras sairiam ou pouco sem sentido, que daria um branco e me perderia pela emoção. Mas consegui, a fala nervosa saiu e pode ser entendida por quem eu desejava que entendesse. E maior que ter um texto de André mencionando-me, é vê-lo se emocionar com um pouco do que sinto a seu respeito. Minhas cambalhotas agora são reais também. Obrigada pela sua irrealidade.

aris disse...

eu perdi! :(

Rita Prado disse...

1. Aconteceu que essa foi uma das minhas melhores experiências.
2. Aconteceu que eu gostei muito dessa história de não ter cabelo ensebado hehehe.
3. Aconteceu que eu me emocionei muito com o comentário da Bruna.
4. Acontece que eu ia escrever um texto, mas vou copiar o teu no meu blog, com os devidos créditos, como todo bom blog por que você leu meus pensamentos.

Pedro Jansen disse...

devo ter perdido mesmo... :S

o próximo assim pode ser aqui em Sampa? :)