15/10/2009

Em São Paulo, uma exposição “Como a Indústria do Fumo Enganou Você”. Mas o assunto é outro. Ou, nem. O curioso: não há nenhuma cena sendo exibida nos telejornais e nem uma foto que mostre os integrantes do MST depredando tratores. Aliás, todas as vezes que aparece um trator supostamente depredado pelos sem-terra na Cutrale aparece um trator velho e visivelmente parado há algum tempo. Intrigante pensar como os integrantes do MST conseguiram furtar 15 mil litros de combustível sem serem filmados pela polícia, que usava um helicóptero Águia, inclusive, para filmar a derrubada dos pés de laranja. Além disso, 15 mil litros de qualquer coisa ocupam um volume considerável, e os “invasores” saíram das terras, que o Incra diz que são da União e destinadas à reforma agrária e não da Cutrale, em cima de dois caminhões da própria Cutrale e cercados pela polícia. Onde esconderam o “produto do roubo”? Dizem ter sido 12 mil pés de laranja derrubados. Mas só vemos uma cena, dez, doze, treze segundos, de um trator derrubando meia dúzia. Onde estão os outros 11.994? Quem contou? Curioso também dizer que o MST não quer diálogo. São uns bobos, os MSTs. Afinal, latifundiários e ricos, em geral, são ótimos em dialogar com pobres, empregados, subalternos. Até chamam empregados de colaboradores, veja só. E é ótimo para os sem-terra dialogarem com os ruralistas. Morreram 1.086, salvo engano, nos últimos anos, nesses diálogos. Mas isso não gera CPI nem matéria no JN. E, a Cutrale, detém 30% da produção intergalática de bláblábláblá de laranja. Claro que pode usar as terras da União. Os sem-terra, não. Vândalos, eles. Então. Em São Paulo, uma exposição: “Como a Indústria do Fumo Enganou Você”. Mas o assunto é outro. Ou, nem.

(leia entrevista de João Pedro Stedile à Folha, de 12 de outubro)

3 comentários:

Clarissa Poty disse...

Taí uma cobertura que consegue enganar até algumas mentes bem esclarecidas.

Há anos a mídia tenta emplacar a pecha de criminosos nos integrantes do MST, sendo que sem o movimento ninguém no Brasil nem ouviria falar em Reforma Agrária. Ou alguém acha que o governo mexeria com os poderosos latifundiários por conta própria, sem pressão? O movimento serve de porta-voz para muita gente que não encontraria meios de ter ouvidas suas queixas. Mas também acho que, certas vezes, falta à coordenação do MST um pouco de bom senso. Concordo com as ocupações de terra, acho que muitas vezes são necessárias, mas achei que a derrubada de árvores, neste caso, só abriu mais uma oportunidade para a mídia e os ruralistas encontrarem falsas motivações para enquadrar e tentar limitar a ações dos sem-terra. Falta um pouco de visão política e estratégia ao movimento, mas sem ele, a situação no campo estaria infinitamente pior para os trabalhadores rurais.

Paula disse...

Olá André! È a Paula que fez o pedido do "Coisas". Como vc deixou os links de suas paginas na net e vim aqui fazer uma visita:) Teu blog é muito interessante!!!!

Besos procê!!!=**=

Alline disse...

Vai sair até uma CPI, mas o governo tratou de garantir que o presidente e o relator sejam da base governista, então já podemos imaginar no que vai dar.

Conheço uma pedagoga que fez parte do movimento e não tem coisas boas para contar sobre a experiência.

Sem discutir quem merece ou não terra no Brasil, sou contra os que destroem, roubam, agridem e matam. Portanto sou contra o MST.
Se formos pensar que vale tudo para alcançar nossos objetivos, voltamos aos tempos da barbárie.