05/11/2008

Outro dia perguntaram por onde anda a poesia que brincava de casinha neste blog. E eu digo que estou ocupado demais no momento, tentando dar minha gigantesca contribuição na transformação do mundo (e tentando vender meu livro, 20 reais pelo email andrepiaui@hotmail.com ou na Livraria Universitária). Mas ela, a madame poesia, está aqui. É que às vezes a gente não entende pelos disfarces que ela veste. Ela pode vir vestida de fotografia, de vídeoclip, de questionamentos sobre qualquer coisa , de eleições americanas. Aliás, eleições americanas. Não poderia ser mais poética esta eleição, aparentemente emocionalizada e, assim espero, emocionalizada mesmo. Porque a gente já usou demais a razão e parece que, para a maioria das coisas, não deu muito certo. Não lembro de algum presidente de qualquer país ser eleito e falar para os gays, falar da avó, dizer que a mulher dele é o amor da vida dele. Não lembro de um presidente da maior potência bélica do mundo ter dito que eles são um país cujo maior mérito não é a força, são as idéias. Não pensei que iria ver um presidente de sobrenome Hussein em um país traumatizado por guerras e atentados e histeria em relação a Husseins do mundo inteiro. E, por mais que a gente não queira, não dá para não lembrar que ele é negro, e agora presidente de um país que todo mundo diz que é racista de carteirinha. Se a gente acha MESMO que isso não tem importância, é só ver a foto do Jesse Jackson chorando e tentar entender. É bom a gente pensar que as barreiras começaram a cair e que se o país que “melhor” vende sua ideologia vender bem esse tipo de coisa, o mundo pode ser mesmo melhor. O mundo amanheceu mais esperançoso, hoje, e isso é bom. Sempre é bom. Até porque lá os críticos de Obama o chamaram de “socialista”, e disseram que suas idéias tinham fundamentos “marxistas”. Eu não posso dizer se ele é ou não é, e se as pressões da maior economia do mundo vão permitir algum avanço significativo na distribuição da renda mundial. Mas, se os críticos o acusaram de “socialista” e ele ganhou a eleição no maior país capitalista do mundo, olha a poesia acontecendo aí, gente. Tomara. Tomara mesmo. Que esse sopro de alegria e esperança que o mundo sentiu na noite de ontem vire ventania. Yes. We can.

4 comentários:

lola aronovich disse...

André, escrevi algo parecido hoje, pra publicar amanhã. É isso aí, concordo totalmente.

Pri Rezende disse...

And you are a genious, always.

idalena disse...

O comentário vem de britânicos, mas encaixa-se: "all we need is love".
Tomara que eles aprendam.

Um beijo grande da tua irmã mais que torta (doce).

Idão

Rosa Magalhães disse...

Poesia sim!! Para o mundo inteiro ver...