07/11/2007

Aqualove

não pretendo um amor sólido
tendo em vista a grande possibilidade de um sólido se romper à menor mudança
de temperatura
de pressão.
pretendo um amor líquido
que se adapte a qualquer recipiente
e, sorvido em grande goles,
molhe os lábios
escorra pelo pescoço
e umedeça os países
ao sul do continente.
líquido, para que, aquecido,
evapore
suba ao céu
chova sobre mim
encharque o chão
tire essa tal segurança de debaixo dos meus pés
deixe lama entre meus dedos.
não pretendo um amor assim, concreto,
não pretendo um amor assim, rígido,
não pretendo um amor, assim, sólido
mas líquido
incerto
insólito.
e se uma frente fria vinda diretamente da Patagônia
torná-lo gelo,
frio,
pedra,
que baste deixá-lo ligeiramente exposto ao seu olhar
e ele, regredindo a seu estado original,
volte a matar essa sede
amiga, inseparável, do sertão
de nós.

5 comentários:

anclara disse...

Eu adoro a Jackie e suas faces, suas fases. Mas minha identidade aquática me obriga ao pronunciamento urgente. Sinto, sei, e escreveria, se assim o fizesse tão bem, sobre o Aqualove.
E melhor título não há.
Um abraço bem grande, que eu estou emocionada.
=]

Rosa Magalhães disse...

Perfeito!

larissa bueno ambrosini disse...

ola...
cheguei chegando...
e gostei do canto.
abraços.

Anônimo disse...

zygmunt bauman, amor líquido.
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=758638

camila disse...

eu já disse que sou sua fã? mesmo que passem os anos e vc nem se lembre mais.