17/01/2007

O Poço Tá Chamando a Gente
Agora, deu-se. Como se já não bastasse tudo de atrapalhado que vem acontecendo nesse país, até a terra anda faltando debaixo dos pés do brasileiro. Já não se fica seguro em nenhum lugar: nem no mar, nem no ar, nem no chão, nem no restaurante, nem no carro, nem no semáforo, se bobear nem no banheiro que, diz um amigo meu, é o único lugar do mundo onde você pode ser você mesmo sem ninguém ficar te vigiando. Ou não.
Anda difícil ser otimista. Esse negócio do buraco do metrô de São Paulo mostra que tem muito mais coisa entre o céu, a terra, as empreiteiras e tudo o mais, do que supõe nossa vã filosofia. Impressiona a falta de autoridade, a falta de fiscalização, a falta de vergonha na cara, a falta de um mínimo de senso de compaixão pela gente bronzeada e morta de vergonha e medo que quer mostrar seu valor. O buraco do metrô de São Paulo não é o fundo do poço: é o começo. Melhor a gente se segurar pra não cair dentro dele.
O Rio de Janeiro continua lindo. Achei lindo o desfile do Sérgio Cabral passando em revista as tropas federais que vão lá dar uma forcinha pra polícia deles. São uns 500 homens e mulheres, tudo muito bacana. Há anos se diz que repressão não basta, mas fazer o quê. Nem isso foi feito direito. Agora, estão lá, todos fardadinhos em frente ao Governador que chegou batendo um bolão pra platéia. Dez minutos depois a marginália toca fogo em ônibus e carros. Não é desafio, não. É gozação mesmo. Só a Rocinha tem mais de 500 mil habitantes. Uns 499 mil e quinhentos são gente boa. Sobram uns 500 nas tropas da bandidagem. Os 500 do Cabral não devem dar nem pro começo. Até porque bandido não precisa esperar licitação para comprar armas e munição, não precisa de concurso nem de grandes coisas a não ser botar o trabuco na cintura, amarrar a camisa na cabeça e fumar um de vez em quando. Esperar pra ver. Mas, ao que parece, tudo como dantes: passa um tempo, os homens da lei deixam as trincheiras e tudo volta ao anormal. O buraco, assim como o do metrô de São Paulo, é bem mais embaixo.
Por aqui na Chapada? Olha, lembro que vivia me gabando pro povo lá do “sul maravilha” que aqui eu dormia de janela aberta. Acabou. Mal dá pra abrir janela durante o dia, que dirá à noite. Não dá mais pra ficar tranqüilo nem almoçando domingo no restaurante e dando a folga da secretária. Daqui a pouco vamos ter o Boa Noite Teresina, o Boa Tarde Teresina, o Bom Apetite Teresina e o Dorme Mais um Pouco Teresina. Pode ser que dê resultado. Ninguém sai mais de noite, nem de tarde, nem de dia, nem almoça e nem janta fora.
Enquanto isso, a gente vai levando. Ferro, claro. Aqui, ali e acolá no Planaltão, todo mundo briga pelos cargos mais “importantes” no Governo, afinal, política é um jogo, e ministérios e secretarias devem ser “distribuídos” entre os aliados que propiciaram a estrondosa vitória. Justo. Muito justo. Mas, vem cá: o que importa não é mesmo escolher as pessoas mais indicadas para determinadas funções do que os mais amigos ou camaradas de primeira hora?
Sempre me dizem que sou meio ingênuo. Deve ser. Não entendo bem as coisas.
Mas o buraco tá lá. De boca aberta, esperando a gente cair dentro dele. Vê se não me empurra, por favor!

4 comentários:

ju disse...

o começo do fim?
já to querendo é que acabe logo.
:/

Fábio Lima disse...

Tá em forma, garoto! Abração!

__________Mais do Mesmo !!!! disse...

abraço grande p o menino
de letras que correm na alma!

Eduardo Ferrari disse...

Olá! Vim retribuir a visita ao meu blog e dizer que achei bem interessantes seus posts. Obrgiado pelos comentários. Abraços, Edu Ferrari