
25/04/2009
24/04/2009
Há poucos dias Susan Boyle era um exemplo de como somos preconceituosos, mesquinhos, arrogantes, e invariavelmente nos deixamos enganar pelas aparências. Uma "prova" de que somos, todos, fúteis. O vídeo de Susan Boyle nos chegou como um tapa na cara. E, por alguns instantes, choramos e pensamos que somos mesmo uns merdas, e que podemos ir além das convenções, das imposições da mídia e blá. Só que o preconceito não aceita desaforo. Susan Boyle já não parece mais Susan Boyle, e começa a se transformar na imagem que queremos ter de Susan Boyle. Uma voz daquelas não pode ter no pescoço o colar de Pedrita. Não pode ter cabelos grisalhos. Não pode ser gorda. Não pode ser feia. Não pode. A voz de Susan Boyle precisa ser reforçada por roupas que a emagreçam, precisa de uma dona mais jovem, precisa sair de uma garganta mais cool. E estamos todos repetindo: ah, agora ela está bonita. Agora ela está se cuidando. Agora ela parece alguém como nós. Não, Susan Boyle, você não pode ser diferente. Tem de ser uma de nós. Mesmo com sua voz, você tem de ser mais parecida com o que queremos que você seja. Nunca aprendemos, mesmo.
20/04/2009

Semana passada vi no Fantástico matéria sobre o “desligamento da memória”. Um cientista que experimenta um mecanismo para desligar conexões formadas no cérebro e fazer a pessoa esquecer fatos, comportamentos, pessoas. Lacuna Inc. Um dos mais the best of all time, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembrança, já me fazia pensar nisso. Tem gente que diz não se arrepender de nada. E que não é preciso esquecer nada. A mim parece frase de perfil besta de Orkut. Eu queria, sim, esquecer muitas coisas. Não saber que existiram. Coisas, pessoas, fatos. Lugares. Não, não são “muitas”. Talvez, várias. Enfim. Adoro ficção científica virando realidade. Ou alguém tentando. Pílula pra apagar lembranças ou vícios ou o que. Genial. Não tenho medo. Acredito sinceramente que no meio de tudo de ruim que há por aí há chances de sabermos o que fazer com isso. Ninguém está imune a erros e megalomaníacos com sonho de dominar o mundo. Claro. Mas a gente sabe dar jeito neles. Ou não. Mas eu compraria um vidro e deixaria no armário do banheiro. Papo furado o “tudo serve de aprendizado”. Serve. Serve. Mas convenhamos que era melhor aprender de outro jeito. Então, esquece. E refaz a conexão de outro modo. Sim, o cientista do Fantástico diz que é possível. Tipo: te conheço, mas minha experiência com você foi uma bosta. Off. Não sei quem você é. Conheço outra vez. Puxa, que beleza de pessoa é você. Acredito que é possível redescobrir coisas, pessoas, lugares, olhando de uma posição meio passo mais à esquerda e, oh! Mas tem gente que não. Tem gente que não dá para apagar e conhecer de novo. Apaga, e fim. Não sei. Tenho dúvidas. Ah, falando de Oeiras. A primeira capital do Piauí. Adorei Oeiras. Na verdade, adorei Joca Oeiras e Bill. Eu não tomaria pílula para esquecer Oeiras. Quer dizer, vamos considerar que Oeiras seja inteira Joca, Bill e as pessoas que conheci. Stefano. Vivaldo. Outras, várias. Lúcia Vanda já conhecia. E o banquete na chegada. E os sorrisos e abraços e conversas e visitas e a história sob os pés durante dois dias. E os risos. E Ela, claro. Até porque com Ela nenhum lugar consegue ser ruim. Porque Ela é, agora, um pouco Oeiras também. Então, se as cidades são as pessoas, Oeiras é um lugar excepcional. Não sei a Oeiras dos outros. A que conheci, é. Abraço, Oeiras.
17/04/2009
Fotos do lançamento de Coisas de Amor Largadas na Noite, em Oeiras, AQUI, no flickr do queridíssimo Joca Oeiras.
Volto já.
Volto já.
13/04/2009
09/04/2009
06/04/2009
CURSO DE EXTENSÃO - REDAÇÃO CRIATIVA
Com André Gonçalves e Samária Andrade
Início: 09 de maio
Local: CEUT - http://www.ceut.com.br/
APENAS 70 reais.
Poucas vagas. Matricule-se djá!
Com André Gonçalves e Samária Andrade
Início: 09 de maio
Local: CEUT - http://www.ceut.com.br/
APENAS 70 reais.
Poucas vagas. Matricule-se djá!
03/04/2009
30/03/2009
Quem tem uns 40 anos e foi adolescente em Belo Horizonte lembra das Vassouras Princesinha. Mais pra frente, quem é de Teresina lembra do Sensacional. Lembra também do Raul Lopes. E do Agenor, o Agenor. Pena que não tem nada disso no You Tube. Mas agora temos o Urocenter. Um jingle que toca incessantemente nas rádios locais. Que virou videozinho fake e está aí embaixo. Me incomoda o diálogo travado agora há pouco com um amigo, que me contou quem fez o jingle. Quem fez nem vem ao caso. Mas esse amigo disse: “eu acho que propaganda boa é a que gera resultado”. E disse ainda: “nem sempre um texto com uma linguagem mais rasteira quer dizer que o resultado tem que ser ruim (muito pelo contrário), às vezes uma coisa bem lapidada passa despercebida quando uma coisa muito simples gera resultado”. Está claro o ponto de vista dele. Mas o problema é que ele é empresário da comunicação. E, quando alguém que é empresário de comunicação defende o tosco como alternativa viável para gerar resultados comerciais, é hora de questionar alguma coisa. É o caso da gente questionar e se questionar. Onde está a falha (se é que há uma)? Em nós, que achamos aquilo muito ruim, ou em quem acredita que aquilo tem algum valor e traz resultados? No público, que desaprendeu a gostar do bom e ama o ridículo? O que é “resultado”? Como se mede esse “resultado”? Onde está esse resultômetro? E que momento se dá essa ruptura entre nós e os outros? Lembro que Sthefany, a nossa diva, esteve no programa do Gugu. E há quem diga e apregoe que criticar os vídeos da Sthefany é preconceito de um grupo que não quer a inclusão das camadas “menos cultas” da sociedade no mundo digital bláblábláblá. Pode ser. Eu não sei se é. Quem sabe? Mas tenho medo dessa legitimização do tosco como instrumento de ascenção social, inclusão digital ou qualquer coisa do tipo. Me lembra o “sou pobre mas sou limpinho”. Não sei porque, mas lembra. Porque não me parece razoável que o “popular” tenha de ser tosco, feio, grosseiro. Porque quem defende o tosco como manifestação da cultura popular é que está difundindo preconceito, já que considera o mal-feito o único modo de existir da cultura popular. Partindo desse pressuposto, Cartola seria compositor da Calypso. Pois. Queria que algum estudioso da história da arte me dissesse se há algum momento na história do Homem em que a busca pelo belo, pelo harmonioso, pelo sutil, perdeu a guerra contra o abjeto. Por favor, ninguém venha exemplificar com a menina pichadora da Bienal porque aí é outra coisa completamente diferente, e eu estou do lado dela, a pichadora. É, já tentaram comparar, e é ridículo. Enfim, mas o assunto nem é arte, já que publicidade/propaganda não é arte. Apesar de usar elementos de arte e, por isso, ser tão perigosa quando mal utilizada. Então, é o caso da gente pensar. Porque do pensar em como mudar o que somos “enquanto profissionais” (texto à moda PT) depende nossa sobrevivência. Aliás, é o que mais tenho tentado fazer: chamar a mim e aos colegas para esse pensar. Porque eu, eu mesmo, acho que nem sei de muita coisa. Mas pode ser que tentando a gente consiga. Só pra constar, antes de se falar em “resultados”: Vassouras Princesinha, Raul Lopes, Jelta (a do Sensacional) e Agenor Artefatos estão fechados. Quebrados. Não existem mais. Não será o caso desse laboratório, espero. Espero mesmo.
* E nem vamos falar aqui dos aspectos técnicos do tal jingle, nem da coisificação da saúde, nem de outras coisas que vêm por aí quando eu tiver tempo, saco e conseguir organizar algum pensamento a respeito.
* E nem vamos falar aqui dos aspectos técnicos do tal jingle, nem da coisificação da saúde, nem de outras coisas que vêm por aí quando eu tiver tempo, saco e conseguir organizar algum pensamento a respeito.
Faz uns 8 ou 9 anos que tenho blog. Sou das primeiras levas de blogueiros, eu acho. Mas nunca quis fazer um blog sobre publicidade/propaganda. Nem quero. Sempre quis viver além da minha profissão. Conto nos dedos as vezes que postei algo sobre publicidade/propaganda em um blog. Nos últimos dias tem sido freqüente. Desculpas a quem não gostar. Não sei se é uma tentativa de purgar. De tentar acreditar outra vez. De questionar e acrescentar. Ou alguma utopia qualquer de que é possível mudar o mundo. De qualquer modo, vou falar mais algumas vezes sobre. Acredito sinceramente que a publicidade no mundo está em crise. No Brasil idem. No Piauí, obviamente, infinitamente mais. Acontece algo engraçado. As coisas boas chegam com atraso. As más se antecipam. Deve ser karma. Pode ser que não adiante nada. Deve acontecer isso, até: nada. Mas é minha vibe atual. Crer que a publicidade dominou o mundo com seus filhotes. E que isso não é bom. Mas que pode, quem sabe, ser. Pelo menos pode ajudar em alguma coisa. No mínimo, podemos tentar consertar algumas das merdas que produzimos. Então, pode sobrar pra alguém aqui. Algum colega. Algum amigo. Perdoa o mau jeito. O meu jeito.
Assinar:
Postagens (Atom)

