Sobre Lula, O Filho do Brasil - parte II
Impressiona em “Lula, o Filho do Brasil” o uso de recursos os mais batidos para emocionar o espectador médio. Impressiona, inclusive, pela incompetência. Qualquer um que tenha visto qualquer novela reconhece seus truques.
Dona Lindú, mãe de sete filhos, abandonada pelo marido no sertão mais pobre do Brasil, levantando o recém-nascido Lula (o oitavo filho) e dizendo “você vai se chamar Luís Inácio”. A seqüência da morte de Lurdes e do bebê é um desperdício da carga dramática de uma situação como essa. A sequência onde Lula vai ao cemitério se despedir de Maria de Lurdes e diz: “era um menino” é um acinte. E nem mesmo a que mostra como Lula, fazendo hora extra no trabalho e, por cansaço e excesso de dedicação, se acidenta e perde o dedo, consegue ser convincente. Manipulada com inabilidade extrema, o que se perde nessa seqüência é a possibilidade de transmitir dor, desespero, sofrimento, como deve realmente ter acontecido. E fica um gostinho de tentativa de se martirizar o acidentado.
Outro ponto marcante em “Lula, o Filho do Brasil” é a situação da mulher. Existem basicamente quatro mulheres presentes na trama. Dona Lindú, nitidamente colocada como a mãe protetora, acolhedora, compreensiva, lutadora e forte, com a sabedoria de quem sofre com a pobreza mas percebe a grandeza do mundo. Há algo de Nossa Senhora em Dona Lindú. Há, mesmo, durante a seqüência do enterro de Dona Lindú, um flashback de Lula onde as imagens remetem claramente à Pietá, acolhendo em seu peito o filho sofredor.
Há também Maria de Lourdes, primeira mulher de Lula e que morreu no parto. Cuja únicas aparições são na primeira paquera, no momento do pedido de casamento, na lua de mel e em um, digamos, momento “pré-sexo-selvagem” na laje da casa nova, enquanto ela lava roupa. E, claro, na seqüência do parto que termina com a morte de Maria de Lurdes e o filho.
Outra mulher muito presente é Marisa Letícia. A hoje Primeira Dama é retratada como mulher forte, “viúva que cria o filho sozinha”. Sozinha, mas morando com os pais. E, depois, ela só aparece aplaudindo o marido no Sindicato, e de mãos dadas com ele no enterro de Dona Lindú. Ou pouco mais que isso.
Da quarta mulher não se diz o nome. Mas Lula, ainda jovem e solteiro, dança com ela na noite, em um bar ou algo que o valha. Com direito às piadinhas normais de qualquer homem solteiro. No mais, aparecem de relance a irmã de Lula e mais uma ou duas mulheres, como a professora dele. E só.
De resto, não há em quase duas horas de filme uma mulher retratada de maneira diferente do clichê. Parece que na vida do homem Lula nunca houve uma mulher fora dos perfis “mãe/dona de casa/ professora primária/mulher pra casar/mulher pra dançar na noite”.
* aguente firme: no próximo post, o trecho final da série sobre "Lula, O Filho do Brasil"
08/01/2010
04/01/2010
“Toda vez em que penso na minha vida política, penso no Partido dos Trabalhadores, que foi a minha primeira e única experiência de vida partidária”.
Esta frase é de Lula, em 2000, no texto “PT:20 Anos de Cidadania”, que está publicado no portal da Fundação Perseu Abramo (link no final do post).
Logo abaixo, outra afirmação: “Ajudei a fundar o PT com o objetivo de criar uma alternativa concreta de cidadania para milhões de trabalhadores brasileiros. E para mudar o Brasil. Fiz isso juntamente com outros sindicalistas, intelectuais, políticos e representantes de movimentos sociais, lideranças rurais e religiosas”.
Um dos fatos que mais me chamaram a atenção em “Lula, o Filho do Brasil” foi a omissão do momento da fundação do Partido dos Trabalhadores por Lula e outros brasileiros ilustres. Em nenhum momento é citado o desejo de se criar um partido de defesa dos trabalhadores. Nem mesmo de passagem. Não é possível afirmar que essa ausência pode ser explicada pelo fato de o filme se localizar em um período anterior a esse momento. O filme mostra a prisão de Lula, a morte de Dona Lindú, a ida de Lula ao enterro da mãe. E, por sinal, termina aí. Era maio de 1980. O PT foi fundado por Lula antes disso. A primeira reunião histórica do PT aconteceu em 10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion, em São Paulo. Lula já falava do PT em 1978. Mas não há absolutamente nenhuma referência ao partido, ou à intenção de que ele fosse criado. Visivelmente, e sabe-se lá porque, o Partido dos Trabalhadores foi omitido do filme que conta a história de Lula. Só por isso já é possível fazer uma severa crítica a ele (ele, o filme), supostamente biográfico. Mas pode-se fazer outras.
Por exemplo, a ausência de referências a Lurian, nascida em 1974, antes de seu casamento com Marisa Letícia. Portanto, dentro do período compreendido pelo filme. São um romance e uma filha já assumidos por Lula, que causaram toda aquela celeuma com a baixaria de Fernando Collor nas eleições de 1989 mas que, hoje, não representam nada demais. Mais ausências? Aonde estão os intelectuais que também fundaram o PT e tiveram participação decisiva na carreira do político Lula? Antônio Cândido, Frei Betto, Mário Pedrosa, Moacir Gadoti, Lélia Abramo, Sérgio Buarque de Holanda, Apolônio de Carvalho? A única vez, no filme, em que se faz referência a qualquer intelectual é em uma cena onde Lula afirma: “até que para sociólogos vocês são bons desenhistas”. Ou seja: de certa maneira, há aí algo de preconceito. Ou de manifestação de um “viés” populista, buscando afastar do metalúrgico Lula qualquer possibilidade de aproximação com uma ideologia de origem esquerdista clássica. Aliás, não há, em todo o filme, qualquer traço de posição ideológica do político Lula. Ou há: por duas vezes, em situações distintas, ele repete: “Não sou comunista”.
Muito pouco para a biografia do maior líder sindical do Brasil e maior símbolo da esquerda brasileira.
* esse post continua amanhã
** texto de Lula no Portal da Fundação Perseu Abramo
Esta frase é de Lula, em 2000, no texto “PT:20 Anos de Cidadania”, que está publicado no portal da Fundação Perseu Abramo (link no final do post).
Logo abaixo, outra afirmação: “Ajudei a fundar o PT com o objetivo de criar uma alternativa concreta de cidadania para milhões de trabalhadores brasileiros. E para mudar o Brasil. Fiz isso juntamente com outros sindicalistas, intelectuais, políticos e representantes de movimentos sociais, lideranças rurais e religiosas”.
Um dos fatos que mais me chamaram a atenção em “Lula, o Filho do Brasil” foi a omissão do momento da fundação do Partido dos Trabalhadores por Lula e outros brasileiros ilustres. Em nenhum momento é citado o desejo de se criar um partido de defesa dos trabalhadores. Nem mesmo de passagem. Não é possível afirmar que essa ausência pode ser explicada pelo fato de o filme se localizar em um período anterior a esse momento. O filme mostra a prisão de Lula, a morte de Dona Lindú, a ida de Lula ao enterro da mãe. E, por sinal, termina aí. Era maio de 1980. O PT foi fundado por Lula antes disso. A primeira reunião histórica do PT aconteceu em 10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion, em São Paulo. Lula já falava do PT em 1978. Mas não há absolutamente nenhuma referência ao partido, ou à intenção de que ele fosse criado. Visivelmente, e sabe-se lá porque, o Partido dos Trabalhadores foi omitido do filme que conta a história de Lula. Só por isso já é possível fazer uma severa crítica a ele (ele, o filme), supostamente biográfico. Mas pode-se fazer outras.
Por exemplo, a ausência de referências a Lurian, nascida em 1974, antes de seu casamento com Marisa Letícia. Portanto, dentro do período compreendido pelo filme. São um romance e uma filha já assumidos por Lula, que causaram toda aquela celeuma com a baixaria de Fernando Collor nas eleições de 1989 mas que, hoje, não representam nada demais. Mais ausências? Aonde estão os intelectuais que também fundaram o PT e tiveram participação decisiva na carreira do político Lula? Antônio Cândido, Frei Betto, Mário Pedrosa, Moacir Gadoti, Lélia Abramo, Sérgio Buarque de Holanda, Apolônio de Carvalho? A única vez, no filme, em que se faz referência a qualquer intelectual é em uma cena onde Lula afirma: “até que para sociólogos vocês são bons desenhistas”. Ou seja: de certa maneira, há aí algo de preconceito. Ou de manifestação de um “viés” populista, buscando afastar do metalúrgico Lula qualquer possibilidade de aproximação com uma ideologia de origem esquerdista clássica. Aliás, não há, em todo o filme, qualquer traço de posição ideológica do político Lula. Ou há: por duas vezes, em situações distintas, ele repete: “Não sou comunista”.
Muito pouco para a biografia do maior líder sindical do Brasil e maior símbolo da esquerda brasileira.
* esse post continua amanhã
** texto de Lula no Portal da Fundação Perseu Abramo
11/12/2009
07/12/2009
24/11/2009
Seis perguntas para Clício Barroso

Clício Barroso Filho, o Clício, é um dos grandes da fotografia brasileira.
Excepcional fotógrafo de moda e publicidade, Clício provavelmente é um dos que mais rapidamente se adaptaram à fotografia digital.
Aqui ele responde a algumas perguntas.
Intacta Retina: A fotografia analógica acabou?
Clício: Comercialmente, sim. Na prática, ainda não.
A tendência é se transformar em nicho de artistas experimentais, e vai acabar no rol de "processos alternativos". Não há muito sentido em se insistir com uma tecnologia ultrapassada, poluidora e que, no final, tem hoje menos qualidade que a nova tecnologia.
IR: Você ainda usa câmera não-digital em alguma situação?
Clício: Não, não uso. Vendi minha Hasselblad há pouco, e tenho uma Pentax de filme em cima da minha mesa. É útil para segurar papéis, e bonitinha de se olhar.
IR: A fotografia está definitivamente casada com a tecnologia? E a fotografia-arte, como fica nesse novo momento?
Clício: Não entendo a pergunta. Fotografia *sempre* foi tecnologia, não? Profundos laços com a química, com a física, e a necessidade dos aparelhos. Eletrônica. Microeletrônica. Infravermelho, wireless, reconhecimento de faces, de sorrisos...
Vamos falar de arte; o modo de captura independe, o que interessa é o que está na parede, o resultado final da visão/imaginação do artista. Arrisco dizer que *nunca* a fotografia foi tão valorizada no mercado de arte como agora. Talvez a tecnologia digital tenha impulsionado o surgimento de artistas que se valem do meio fotográfico para sua expressão, ou a valorização dos clássicos, que usavam filme. Talvez os dois.
IR: Hoje, que tanta gente passou a fotografar e a média de qualidade dos fotógrafos “amadores” subiu bastante, o que irá diferenciar o grande fotógrafo do bom fotógrafo?
Clício: Ora, o de sempre; qualidade, ter o que dizer, ousadia, experimento, estudo.
Mas não foi sempre assim?
IR: Há quem diga que a caça aos megapixels tirou o caráter “vivo” da fotografia, que está cada vez mais asséptica, impessoal, sem a “marca” do fotógrafo. Já há movimentos para “sujar” a fotografia, e grupos que louvam, por exemplo, a lomografia. Ainda vale mais o momento decisivo que a quantidade de megapixels, ou é um caminho sem volta a “assepsia” da fotografia profissional?
Clício: Erra quem acha que fotografia comercial é fotografia de autor.
Não é.
Por outro lado, a fotografia tem hoje uma pluralidade ímpar na história, onde todas as experimentações são permitidas e aceitas, e onde vale mais o que tem mais conteúdo. A "assepsia" dos trabalhos comerciais se deve a uma imposição do mercado publicitário, onde o criador raramente é o fotógrafo. Faz quem precisa fazer para viver, ou quem gosta. Ninguém é obrigado.
IR: Em artigo recente, você afirma: “O romantismo idealizado do fotógrafo solitário, desplugado, artista e senhor das técnicas ocultas está ultrapassado, desmoralizado e foi substituído por quem está disposto a trabalhar colaborativamente”. Isso significa que não haverá mais nenhum Cartier Bresson, nenhum Ansel Adams, nenhum Sebastião Salgado?
Clício: Claro que vai, não "matei" o artista nem o autor, longe de mim!
O que não existe mais são os mitos de que fulano faz sucesso "porque tem um laboratorista velhinho nos Bálcãs" ou que "a marca tal e tal fez uma lente especial para beltrano", na parte técnica; e acreditar na mentira de uma mídia desinformada que acha que o Salgado, por exemplo, trabalha sozinho. Não, há uma enorme equipe apoiando, pensando, arquivando, vendendo.
Foi o que falei, não adianta romanticamente idealizar algo que não existe, e entender que nunca ninguém vai ser sozinho mais do que um grupo coeso, focado, inteligente. Por isso os coletivos fotográficos, por isso os eventos, simpósios e encontros de fotógrafos, por isso o Twitter e o Facebook e as listas de discussão e os fóruns.
Mas mesmo trabalhando colaborativamente acredito que alguns sempre se destacam, quebram paradigmas e criam outros.
Algumas fotos de Clício Barroso







*Conheça mais sobre o trabalho de Clício Barroso em seu site: www.clicio.com.br
*Entrevista concedida via e-mail a André Gonçalves, originalmente publicada no Intacta Retina
09/11/2009
Ângela Diniz levou quatro tiros em 30 de dezembro de 1976. Seu crime: ser bonita, desejada, sentir desejo, expressar desejo, ir contra a moral vigente, ser “a Pantera de Minas”. Doca Street disparou quatro tiros na imoral que pediu a ele que fosse embora, que a deixasse viver a vida da maneira que quisesse. E que morreu porque queria ser livre. Doca Street foi inocentado, em 1979, e saiu aplaudido do fórum. Sua defesa, um clássico: “legítima defesa da honra”. Desancando Ângela Diniz, afirmando que ela era uma mulher que “vivia na horizontal”, Evandro Lins e Silva, advogado de Doca Street, convenceu o júri de que Ângela Diniz “pediu” para ser assassinada. A vítima, mulher, linda, sensual, vivia de modo incompatível com a “moral e os bons costumes”, e isso legitimou o ato de Doca Street. Que defendia a honra, a moral, paladino do comportamento “natural” do homem. Menos mal que, dois anos depois, por pressão dos movimentos feministas, das esquerdas e dos “rebeldes imorais”, o mesmo Doca Street voltou a julgamento e foi condenado a 15 anos de prisão.
Mas assusta estarmos em 2009 e uma moça ser expulsa de uma Universidade por atentar contra a “moral e os bons costumes”. Assusta perceber que alunos, universitários, jovens, possam ter cercado uma mulher de minissaia, minivestido ou o que seja, e chamá-la de “puta”. E assusta ainda mais ouvir e ler os “manifestantes” afirmando que foi ela “quem pediu”.
Como assim, “ela pediu”? Como assim, usava roupa curta demais? Como assim, levantou o vestido? Estratégia antiga, das mais torpes, machistas, fascistas, inaceitáveis: transformar a vítima em réu. Desabonar a conduta da vítima para justificar um crime. Transformar um crime em inevitável defesa da ordem e dos bons costumes. Desde quando uma turba de universitários chamando uma mulher de vinte anos de “puta” é defender a instituição Universidade? Qual é a régua que mede o tamanho da moral? A moral está cinco centímetros abaixo do joelho? Ou três centímetros acima do umbigo? Quem vai punir os verdadeiros agressores, os que agrediram verbalmente Geisy, a humilharam e transformaram seu vestido cor de rosa em escândalo nacional, no país da Mulher-Melancia? Como assim, foi expulsa porque era preciso manter a “honra” da Universidade?
Ângela Diniz está morta. E dá medo perceber que, trinta anos depois, quem acreditava que ela mereceu morrer “porque pediu” continua vivo, e espalhando sua imbecilidade em um dos lugares que mais exigem liberdade, debate, respeito, divergência, convergência, tolerância: a Universidade. Isso explica porque tantas Ângelas anônimas continuam sendo mortas e agredidas Brasil afora. Outras deverão vir por aí. Em nome da moral e dos bons costumes. Na legítima defesa da honra.
Sim, dá muito medo. E vergonha.
Update: vale ler o que Lola escreveu sobre a suspensão da expulsão e a manifestação de hoje.
Mas assusta estarmos em 2009 e uma moça ser expulsa de uma Universidade por atentar contra a “moral e os bons costumes”. Assusta perceber que alunos, universitários, jovens, possam ter cercado uma mulher de minissaia, minivestido ou o que seja, e chamá-la de “puta”. E assusta ainda mais ouvir e ler os “manifestantes” afirmando que foi ela “quem pediu”.
Como assim, “ela pediu”? Como assim, usava roupa curta demais? Como assim, levantou o vestido? Estratégia antiga, das mais torpes, machistas, fascistas, inaceitáveis: transformar a vítima em réu. Desabonar a conduta da vítima para justificar um crime. Transformar um crime em inevitável defesa da ordem e dos bons costumes. Desde quando uma turba de universitários chamando uma mulher de vinte anos de “puta” é defender a instituição Universidade? Qual é a régua que mede o tamanho da moral? A moral está cinco centímetros abaixo do joelho? Ou três centímetros acima do umbigo? Quem vai punir os verdadeiros agressores, os que agrediram verbalmente Geisy, a humilharam e transformaram seu vestido cor de rosa em escândalo nacional, no país da Mulher-Melancia? Como assim, foi expulsa porque era preciso manter a “honra” da Universidade?
Ângela Diniz está morta. E dá medo perceber que, trinta anos depois, quem acreditava que ela mereceu morrer “porque pediu” continua vivo, e espalhando sua imbecilidade em um dos lugares que mais exigem liberdade, debate, respeito, divergência, convergência, tolerância: a Universidade. Isso explica porque tantas Ângelas anônimas continuam sendo mortas e agredidas Brasil afora. Outras deverão vir por aí. Em nome da moral e dos bons costumes. Na legítima defesa da honra.
Sim, dá muito medo. E vergonha.
Update: vale ler o que Lola escreveu sobre a suspensão da expulsão e a manifestação de hoje.
02/11/2009
28/10/2009
Saramago e Padre Carreira das Neves debateram na tv portuguesa. Carreira das Neves disse que Saramago estava usando as palavras da Bíblia de forma literal, e que ela (a Bíblia) deve ser lida como um romance, com suas metáforas e mensagens indiretas. Saramago disse que não há como o leitor médio compreender as metáforas da Bíblia, a não ser que lá esteja um teólogo a explicar o significado. Carreira das Neves disse que Saramago está sendo literalista, e que o assassinato de Abel, o sofrimento de Jó, o sacrifício de Abraão, a aniquilação de Sodoma e Gomorra, são metáforas. Símbolos. Poesia. Literatura. Não haveria nesses casos nada além de mensagens destinadas ao público da época. Não disse sobre a ressureição, a crucificação, o Cristo nascido da virgem, a última ceia, o inferno, o purgatório. Também são metáforas? Quando é para ser metáfora e quando não é?
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